RESUMOS
Drug
intake in asthmatic children influenced by nebulization mode
Pedersen e cols, Koldin Hospital, Denmark
Em 158 crianças asmáticas, de 5-15 anos, atravês estudo randomizado e "crossing-over",
os autores testaram se um novo tipo de nebulizador de jato, que libera a soluçõo
de forma inconstante e síncrona com a respiração, é melhor do que o nebulizador
de jato tradicional que libera a solução de forma constante. Nebulizaram as
crianças três vezes em um único dia com 1mg de budesonida distribuídas em
três grupos, abaixo definidos. Mediram a quantidade da budesonida depositada
em papel de filtro entre o nebulizador e a interface do cliente para inferir
a quantidade depositada nas vias respiratórias. Os resultados observados foram:
|
grupos
de estudo
|
budesonida
nas vias aéreas
(% do nebulizado) |
| nebulizador de fluxo síncrono c/respiração + bocal |
17,1
- 21,6
|
| nebulizador de fluxo constante + bocal |
8,9 -
12,2
|
| nebulizador de fluxo constante + máscara não ajustada |
5,0 -
6,9
|
Os autores concluem que, em
crianças, o nebulizador que libera o fírmaco de forma sincronizada com a respiração
e o bocal parecem ser superiores ao nebulizador convencional de fluxo constante.
Recomendam que o uso da máscara facial não ajustada é face deve ser evitado.
Comentários da Diretoria Científica do PED24 -
Ainda é discutido o método ideal de usar medicação típica inalatória esse
tipo de nebulizador ativado pela inspiração pode ser bastante promissor em
um futuro próximo outro aspecto interessante deste trabalho é interessante
porque confirma a nossa recomendação de sempre que possível nebulizar com
o uso do bocal. Toda mudança requer um certo tempo para que seja bem aceita
e sei que tem havido resistências de alguns familiares com temor de infecção
pelo bocal mas podemos explicar a eles que até neste aspecto o bocal também
é melhor que a máscara. É a questão de comunicar bem ao paciente, aos familiares
e auxiliares de enfermagem sobre a importância do bocal. Com relação ao tipo
de nebulizador esse tipo de nebulizador precisa ainda de maiores confirmações
de sua real vantagem. Na realidade existe uma carência grande de trabalhos
científicos que analisem a liberação de drogas pelo nebulizador com o uso
do fluxo de oxigênio que pela impressão dos familiares e dos pacientes parece
ser bem mais satisfatória.
CONVULSES PS-TRAUMTICAS IMEDIATAS: NECESSRIO A HOSPITALIZAO
ROTINEIRA?
(PEDIATR NEUROSURG 1999; 30(5);232-8)
OBJETIVO: Estabelecer critrios para a alta da sala de emergncia entre crianas
traumatizadas.
CASUSTICA & MTODOS: Revisto os pronturios de 75 crianas com diagnstico
de convulso e trauma craniano. Incluidas apenas crianas sem antecedentes
neurolgicos ou de traumas cranianos.
RESULTADOS: 11 apresentaram convulses repetidas, episdios de apnia e escala
de Glasgow baixa, requerendo internamento na UTI; 60 apresentaram convulso
ps-traumtica simples, nenhuma repetiu o episdio durante o periodo de observao,
e nenhuma teve complicao significante.
CONCLUSES: Os dados sugerem que crianas com convulso simples ps-traumtica
que se recuperam rapidamente na sala de emergncia, cujas TAC no mostram
alteraes e que no tem antecedentes de doena neurolgica, epilepsia ou
uso de medicao anticonvulsivante so de baixo risco para convulses recorrentes
ou complicaes neurolgicas, e podem ser acompanhadas no domiclio desde
que as condies emocionais da famlia permitam.
COMENTRIOS DA DIRETORIA CIENTFICA DO PED24: a nossa realidade diferente,
nem sempre existe condio de realizar TAC . mais prudente que essas crianas
sejam vigiadas por um maior perodo em servio hospitalar com a realizao
de exames neurolgicos seriados. A amostra usada pelos autores foi pequena
o que implica um risco de 9% de estarem tirando uma concluso incorreta (ou
seja, em cada 100 crianas que tiveram alta para casa, 9 apresentaram algum
tipo de complicao).
ACIDENTES ENTRE
PRE-ESCOLARES: FATORES DE RISCO.
(Soc Sci Med 1999; 48(3):321-30)
DESENHO DO ESTUDO: Estudo de base populacional durante dois anos na cidade
de Norwich, IInglaterra.
RESULTADOS: Os acidentes foram mais frequentes em reas pobres. Mas, fatores
individuais foram relevantes para um maior risco de ocorrncia: sexo masculino,
mes jovens, morar distante de um hospital, brincar com crianas mais velhas.
COMENTRIOS DA DIRETORIA CIENTFICA DO PED24: A preveno fundamental,
e isso iimplica no s na realizao de campanhas utilizando a mdia mas principalmente
atravs do trabalho dos profissionais de sade junto aos familiares esclarecendo,
ensinado como prevenir os acidentes. E isso no deve ser feito de maneira
aleatria, mas de acordo com as condies scio-econmicas da famlia, grau
de compreenso dos pais, caractersticas do ambiente e a idade da criana.
FARINGOAMIDALITE RECORRENTE ASSOCIADA AO ESTREPTOCOCO DO
GRUPO A.
(Ped Infect Dis Jour 1998; 809-15)
CASUSTICA E MTODOS: Estudo retrospectivo envolvendo 2140 episdios de faringoamidalites,
o diagnstico baseado em sintomatologia clnica e exames complementares (orocultura
ou teste rpido positivo).
RESULTADOS: 80% dos episdios (1721) foram tratados com penicilina ou
amoxacilina; 20,5% (352) foram seguidos de recorrncia dentro de 30 dias e
30,2% (519) dentro de 60 dias. A recorrncia ocorreu com amior frequncia
entre as crianas mais jovens (1 a 8 anos de idade) e entre os adolescentes.
COMENTRIOS DA DIRETORIA CIENTFICA DO PED24: quando ocorre recorrncia
algumas perguntas precisam de resposta: a medicao foi prescrita corretamente?
houve aderncia ao tratamento? A criana est tendo contato com adultos portadores
e se recontaminando? Emergncia de cepas resistentes? At o momento, as evidncias
cientficas mostram que a droga com maior eficcia/eficincia ainda a penicilina.
Portanto, no h porque haver mudanas na conduta.
HOSPITALIZAO
POR ASMA VERSUS CONDIES SCIO-ECONMICAS EM NOVA YORK
(J Asthma 1999; 36(3):239-51)
O nmero de hospitalizaes aumentou na ltima dcada, principalmente na populao
de menores de 4 anos. Fatores de risco associados: morar nas reas mais pobres
da cidade, pais desempregados, baixo nvel educacional, etnia (afro-americanos
e hispnicos).
COMENTRIOS DA DIRETORIA CIENTFICA DO PED24: fatores de risco semelhantes
ao observado em nosso pas, retratando tambm que uma parcela da populao
no est tendo acesso a assist6encia mdica de boa qualidade.
A
PALAVRA DO ESPECIALISTA
Ns pediatras, frequentemente,
trabalhamos com otorrinolaringologistas, neurologistas, dermatologistas, nefrologistas,
ortopedistas, psiclogos e psiquiatras, dentre outros especialistas.
Ento, vamos solicitar a eles que nos falem sobre os temas que so comuns
ao nosso trabalho. certo que o que eles escreverem ser comentado pela nossa
equipe de pediatras, para que algumas "quinas" sejam aparadas e para que nossos
clientes se beneficiem com comportamentos comuns. Os primeiros especialistas
a usar esse espao so os otorrinos da equipe dos Drs. Enoque e Juc.
ADENOIDECTOMIA E AMIGDALECTOMIA - INDICAES
As amgdalas e a adenide esto envolvidas na imunidade local e
na sistmica e so parte importante do sistema de defesa do organismo.
AMIGDALECTOMIA - As indicaes so absolutas ou relativas. As absolutas
so obstruo de via area superior levando a apnia do sono ou sinais de
hipoventilao pulmonar e suspeita de malignidade (linfoma), quando h aumento
de volume unilateral. As relativas variam de acordo com a faixa etria. Em
crianas mais jovens, quadro obstrutivo com alteraes orofaciais e infeco
recorrente predominam. Em maiores, abscesso periamigdaliano, amigdalite crnica,
cseo e halitose so indicaes mais freqentes.
Existem diferentes opinies quanto ao momento correto para indicar a amigdalectomia
frente a amigdalites de repetio na criana, e quanto ao nmero de episdios
de infeco necessrios para a indicao. Paradise sugere os seguintes critrios:
Sete ou mais episdios em 1 ano; 5 episdios ou mais por ano por 2 anos consecutivos;
3 ou mais episdios por ano por 3 anos consecutivos. Essa conduta deve ser
flexibilizada de acordo com a caracterstica de cada caso. Devido a esta subjetividade,
o procedimento cirrgico deve ser indicado mediante rigoroso acompanhamento
do pediatra assistente em conjunto com o otorrinolaringologista.
ADENOIDECTOMIA - A indicao absoluta a hiperplasia excessiva que
causa apnia do sono e/ou sintomas cardiovasculares. As indicaes relativas
decorrem do grau obstrutivo e das complicaes infecciosas vizinhas, tais
como sinusite recorrente / crnica, otite mdia aguda recorrente e otite mdia
secretora. No ato operatrio o cirurgio pode ventilar o ouvido mdio, colocando
o tubo de ventilao em pacientes que apresentarem secreo ou otites recorrentes.
ADENOIDECTOMIA E AMIGDALECTOMIA - Nos casos em que h hiperplasia da
adenide e das amgdalas conjuntamente, levando a quadros de apnia e/ou sintomas
cardiovaculares.
As indicaes de adenonoidectomia e amigdalectomia so bem definidas em sua
maioria, necessitando integrao perfeita entre o pediatra assistente e o
otorrinolaringologista.
Departamento de Otorrinopediatria - Otorrinos Recife
E-mail para contato: marcelo.mendonca@bol.com.br
Telefone: 34211753
TEMAS
DE INTERESSE PARA O PEDIATRA
Pneumomoco resistente penicilina:implicaes prticas
Mantese, Jornal de Pediatria, Sup.l/S74, 1999
So apresentados alguns tpicos de reviso, sugerimos a leitura integral do
texto.
EPIDEMIOLOGIA: o pneumococo continua a ser agente comum de infeces
na criana (otite mdia aguda, sinusite, pneumonia, meningite, bacteriemia e
outras) e no possvel separar clinicamente uma infeco causada por pneumococo
sensvel (PSP- CIM menor que 0,06 micrograma/ml) de outra pelo resistente
penicilina (PRP-CIM maior que 0,1 micrograma/ml). O PRP importante em todo
o mundo e, em alguns pases j corresponde a mais de 40% das cepas isoladas.
O PRP tambm resistente a outros antimicrobianos, beta-lactmicos ou no.
Muitos so tambm resistentes s cefalosporinas, macroldeos, tetraciclina,
clindamicina, cloranfenicol e cotrimoxazol. Na Amrica Latina, inclusive Brasil,
o projeto SIREVA da OPAS demonstrou 24,9% de PRP, com 16,7% de resistncia intermediria
(CIM de 0,1-1 micrograma/ml) e 8,2% de resistncia total (CIM acima de 2,0 micrograma/ml).
Finalmente so destacados:
1- uma vez na comunidade, o PRP tende a ser rapidamente mais prevalente;
2- as cepas de resistncia intermediria precedem a de mais resistncia;
3- as cefalosporinas e outros antimicrobianos tendem a no funcionar;
4- o uso de antibiticos parece ser importante para o aparecimento e manuteno
do PRP.
MECANISMO DE RESISTNCIA: as penicilinas e outros beta-lactmicos (cefalosporinas,
carbapenems e inibidores das beta-lactamases) atuam no pneumococo via vrias
protenas ligadoras de penicilina (PLP). A menor atividade desses agentes no
germe acontece por alterao das PLPs o que ocasiona reduo da afinidade das
citadas protenas aos frmacos citados. E como o fenmeno no do tipo "tudo
ou nada", h vrios graus de sensibilidade ou resistncia do pneumococo aos
antibiticos. E ainda, como h graus diferentes de afinidade dos pneumococos
s distintas PLPs, h diferentes atuaes dos antibiticos contra o aludido
microorganismo. Assim a amoxicilina, a ceftriaxona, a cefotaxima e os carbapenems
(imipenem) podem ser ativos contra alguns PRP parcialmente ou totalmente resistentes
pecinilina. importante destacar que mecanismo totalmente diverso do que
o que ocorre com o H. influenzae, portanto diferente do que ocorre com as beta-lactamases.
DIAGNSTICO: embora os meios puramente clnicos possam fazer supor infeco
causada por PRP, so os testes microbiolgicos que definem o diagnstico.
MANEJO DAS PRINCIPAIS DOENAS:
a) OTITE MDIA AGUDA (OMA) - no h unanimidade sobre o tratamento emprico
da OMA em crianas e cada pas ou regio deve reavaliar o assunto constantemente.
Mas, h certo consenso, que 45 mg/kg/dia de amoxicilina, via oral, de 8/8 horas,
por 10-14 dias, deve ser usada em crianas com a doena e com febre elevada,
toxemia e dados indicativos de supurao no ouvido mdio. Este mesmo esquema
deve ser usado como primeira alternativa para enfermos com risco de infeco
pelo PRP (menors de < 2 anos, creches, episdios freqentes de OMA e uso de
antibitico nos ltimos 3 meses).
Para casos com menos sintomatologia e se no h risco de PRP, o tratamento pode
ser com a mesma dose da amoxicilina e por 7-10 dias. A ceftriaxona reservada
para os que no podem receber o tratamento VO.
Se no h resposta a dose da amoxicilina deve ser elevada para 80-90 mg/kg/dia,
a cada oito ou 12 horas. So alternativas, nessa condio, a amoxicilina-clavulanato
ou o ceftriaxone.
Crianas com alergia significativa amoxicilina devem ser medicados com um
macroldeo ou cotrimoxazol.
O cefaclor e a cefixima, ativas com H. influenzae e M.catarrhalis no so opo
para infeces por PRP. A cefuroxima (30 mg/kg/dia,VO, 12/12 h) e a cefpodoxima
(8 mg/kg/dia, VO, 12/12 h) so til para essas infeces quando o CIM penicilina
menor que 0,5 micrograma/ml. O Cefprozil tambm no boa alternativa. Assim
recomendvel refletir antes de recomendar uma das cefalorosporinas orais nessa
situao.
A claritromicina (10-25 mg/kg/dia, VO,12/12 h), dos macroldeos, apresenta a
melhor ao contra o pneumococo mesmo o PRP. Mas a resistncia a um dos macroldeos
estende-se aos outros e no compensada pelo aumento da dose. A azitromicina
no deve ser empregada e o uso abusivo deste antibitico um dos responsveis
pelo aumento da freqncia do PRP.
b) BACTEREMIA E PNEUMONIA - os casos mais significativos, portanto para crianas
hospitalizadas, a penicilina cristalina (100.000-400.000 U/kg/dia, em 4-6 doses,
IV) ou a ampicilina (100 mg/kg/dia, 6/6 h, IV). Se no h resposta, o clnico
deve pensar em pneumococo altamente resistente (CIM > 4,0 micrograma/ml) ou
outro agente, se o tratamento est sendo conduzido de forma emprica, e nestes
casos deve-se indicar esquema alternativo: ceftriaxona (100 mg/kg/dia, IM ou
IV, a cada 12-24 h), ou cloranfenicol (75-100 mg/kg/dia,Iv, 6/6 h), ou vancomicina
(40-60 mg/kg/dia, IV, 6/6 h), ou ainda outros frmacos por via parenteral (cefuroxima,
cefotaxima, clindamicina, imipenem e reropenem).
As drogas para uso oral o tratamento domiciliar dos casos de menor gravidade
e para complementar terapia parenteral so: amoxicilina (com ou sem clavulanato),
cefuroxima, cefpodocima, cefprozil, claranfenicol e cotrimoxazol. A amoxicilina,
que nas doses usuais, cobre PSP e PRP moderadamente resistentes.
O programa da OMS para tratamento domiciliar das formas leves de pneumonia prev
o uso do cotrimoxazol, amoxicilina e penicilina procana. Para as forma moderadas
ou graves, de tratamento hospitalar, o programa OMS recomenda penicilina cristalina
ou cloranfenicol associado penicilina cristalina.
A durao do tratamento depende das caractersticas e gravidade do caso e deve
se estender por trs a cinco dias aps o desaparecimento da febre, para os pacientes
que tm o melhor curso clnico.
c) MENINGITE- cefotaxima e ceftriaxona continuam sendo excelentes opes para
o tratamento emprico da meningite em crianas, embora cepas de PRP com CIM
para cefalosporinas acima de 1,0 micrograma/ml, podem no ser erradicadas do
LCR com doses usuais destes dois antibiticos. Para cepas altamente resistentes
(CIM acima de 2,0-4,0 microgramas/ml), a associao ceftriaxona (ou cefotaxima)
com vancomicina age sinergicamente. O emprego de doses elevadas da cefotaxima
(300 mg/kg/dia, IV, 6/6h) aumenta a chance de cura quando o CIM do pneumococo
for de 1,0-2,0 microgramas/ml e quando se emprega a ceftriaxona a dose de 50
mg/kg, de 12/12 h, prefervel ao esquema de uma dose (de 100 mg/kg/dia).
O cloranfenicol (75-100 mg/kg/dia, EV,6/6h) indicado nas meningites por PSP
quando um beta-lactmico no puder ser usado (ex-alergia major a estes frmacos),
mas a associao vancomicina+rifampicina prefervel. O cloranfenicol ainda
alternativa til, associado ampicilina, no tratamento emprico da infeco,
em menores de 5 anos, quando a ceftriaxona (ou cefotaxima) no esto disponveis.
No h relato de pneumococo resistente vancomicina, at o momento. Mas quando
empregada para tratamento de meningite por pneumococo deve sempre estar associada
ceftriaxona (ou cefotaxima) ou rifampicina.
Assim, a ceftriaxona ou a cefoftaxima so as drogas recomendadas para o tratamento
emprico da meningite em crianas, fora do perodo neonatal. Quando no disponveis,
pode ser indicada a associao cloranfeniicol+ampicilina, em pacientes at os
cinco anos. A partir desta idade, usar a penicilina ou a ampicilina.
Diante da suspeita da etiologia pneumoccica (Gram ou ltex), a ceftriaxona
(ou cefotaxima) a melhor opo. Mas em comunidades com elevada freqncia
de PRP, a vancomicina deve ser acrescentada a uma das cefalosporinas citadas.
Pacientes alrgicos aos beta-lactmicos, devem receber rifampicina no lugar
da cefalosporina.
Quando o pneumococo for isolado em cultura e o estudo de sensibilidade caracteriza-lo
como PSP, a penicilina cristalina (250.000 a 400.00 u/kg/dia, EV, 4/4 ou 6/6
h) ou a ampicilina (200-3-mg/kg/dia, IV,6/6h) deve ser empregada. Se o germe
for PRP, a conduta depende do CIM cefalosporina: CIM abaixo de 0,5 micrograma/ml=ceftriaxona
ou cefotaxima; CIM acima de 1,0 micrograma/ml=uma das cefalosporinas antes citadas
e vancomicina.
Os controles liquricos so fundamenais quando a meninigite for por PRP e o
um novo estudo do LCR deve ser feito aps 48 h do incio do tratamento. Tambm
importante realizar este exame 24-48 h antes de parar o esquema antibitico.
A durao do tratamento no deve ser inferior a dez dias.
PROFILAXIA: uso criterioso de antimicrobianos, preveno da disseminao
de cepas resistentes entre indivduos susceptveis e vacinao de pessoas de
"alto risco".
TOXOCARASE: estamos pensando nessa possibilidade diagnstica?
A toxocarase uma causa freqente de sndrome asmatiforme, cursa com eosinofilia
acentuada e, ocasionalmente, hepatomegalia e anemia.
Outro dado que pode ajudar o aumento de todos os isotipos de imunoglobulina:
(IgE muito elevada, IgG alta, IgA alta e IgM tambm alta ) pelo estmulo policlonal
que esse parasito causa. O padro ouro para o diagnstico a sorologia atravs
do Enzima Imuno Ensaio (ELISA), aps absoro do soro com antgeno de ascaris.
O tratamento aceito o Thiabendazol na dose de 25-30 mg/kg/dia durante 7 dias.
PEDICULOSE NA INFNCIA
A pediculose do couro cabeludo ocorre na forma de surtos em escolares independente
de nvel econmico gerando muita angstia e vergonha nas mes. Pode sobreviver
at 3 dias no ambiente principalmente atravs de objetos pessoais como pente
e escova.
A picada do inseto provoca uma resposta de hipersensibilidade e pode ocasionar
prurido e as vezes pode ocorrer infeco secundria havendo o aparecimento dos
linfonodos suboccipitais e at dos retroauriculares.
Atualmente a Permetrina a 5% (Nedax Shampoo) a droga de escolha j que o Lidano
provoca quadro neurolgico em alguns pacientes e a deltametrina ( Deltacid)
derivado do piretro natural pode causar hipersensibilidade em alguns pacientes.
Outras alternativas menos usadas so o Monossulfiran e o benzoato de benzila.
As lndeas podem ser removidas com pente fino aps uso de vinagre diludo 1:1
em gua, ou pode-se realizar um segundo tratamento aps uma semana.
Uma substncia aromatizante o piperonal a 2% (Vapio aerossol) tem se mostrado
eficaz em inibir os piolhos ao atuar como um repelente sendo eficaz em prevenir
os contactantes da infestao.
Por via oral pode ser utilizado a Ivermectina (Revectina) em uma nica tomada,
em crianas acima de 15 kg (15 a 25 kg=1/2 comp; 26 a 35 kg 1 comp; 36 a 50
kg 11/2 comp). Essa uma indicao de exceo, devendo a prescrio ficar a
cargo do pediatra-assistente.
Quando for usar antimicrobiano oral por infeco secundria preferir a sulfa-trimetoprim
pois tambm tem ao em matar o parasita.
Uma observao interessante que uma soluo de gua com sal destroem os piolhos
pois como o parasito no apresenta glndulas para controlar a perda de lquidos
eles morrem por desidratao. Talvez venha da a observao de nossas avs que
diziam "em quem tem sangue doce para piolho nada melhor do que o sal da gua
do mar".
Comentrio da diretoria cientfica do Ped 24: esta reviso sobre piolho foi
feita garimpando em vrios lugares pois um assunto que apesar de freqente
muito desprestigiado porque algumas pessoas tem coceira psicolgica s em
ler ou ouvir falar.
USO DE ANESTSICO TPICO(EMLA) PARA DIMINUIR A DOR ASSOCIADA
COM ADMINISTRAO SUBCUTNEA DA VACINA MMR SEM ALTERAR A RESPOSTA DE ANTICORPOS.
(COLABORAO DE DRA SLUA MAFRA)
OBJETIVO: Avaliar a resposta de anticorpos vacinao MMR com reduo da
dor associada ao uso de anestsico tpico.
DESENHO DO ESTUDO: Ensaio clnico randomizado, duplo-cego placebo controlado.
CASUSTICA: 160 crianas com idade mnima de 12 meses.
RESULTADO: No existe diferena na resposta de anticorpos entre o grupo que
usou EMLA e o grupo placebo. A dor foi medida pela Escala da Dor de Comportamento
Modificado, 3.1 para o grupo que usou EMLA e 3.8 para o grupo placebo(p=0,43).
Quanto a 16% contra 31% no grupo placebo(p=0,40).
CONCLUSO: Aplicao tpica de anestsica(EMLA) antes da imunizao subcutnea
da vacina MMR no altera a resposta de anticorpos, e observa-se significativa
reduo da dor. Estudos prvios tm demonstrado que EMLA reduz a dor associada
injeo intramuscular.
COMENTRIO PESSOAL: importante em todo procedimento diminuir a sintomatologia
dolorosa, principalmente em crianas pequenas que tomam ao grande nmero de
vacinas.